Este post está sendo escrito em um trem entre St. Petersburg e Moscou, na Rússia. Mas como vim parar aqui?
Às vésperas do último réveillon, em dezembro de 2012, recebi um email de uma pessoa que havia visto minha apresentação no UX Masterclass em Copenhagen, na Dinamarca, em março de 2011. Ela explicava na mensagem que a comunidade de UX em St. Petersburg era muito ativa e que ela fazia parte da equipe que organizava a ProfsoUX, uma conferência local sobre UX. Após a explicação, me perguntava se eu gostaria de fazer uma apresentação como a que eu havia feito dois anos atrás.
A conversa continuou por um tempo, eu topei vir e a apresentação se estendeu também para um workshop. Já que é para viajar para tão longe, melhor contribuir com o máximo possível.
St. Petersburg é uma cidade incrível. Não é um lugar muito comum para turistas brasileiros, mas deveria ser. A cidade, antiga capital russa antes de perder o posto para Moscou, é o centro cultural do país. É uma cidade jovem, onde a tecnologia faz parte da vida das pessoas como em qualquer outro grande centro do mundo desenvolvido. O idioma russo não é uma grande barreira, a cidade é muito amigável com turistas, com seus cartazes e sinais em inglês tornando as coisas mais fáceis. Muitos não falam inglês, mas se esforçam demais para ajudar. Coloque na sua lista de cidades a visitar, se possível. Vale a pena.
A conferência em si foi muito bem organizada. Quase 400 pessoas estiveram presentes. Difícil falar sobre o conteúdo pois todas as apresentações, exceto a minha, foram em Russo. Tive um intérprete durante duas delas, onde em uma falaram sobre métodos de pesquisa com usuários e em outra sobre as diferenças de UX no desenvolvimento de websites e de games. Essa última muito interessante por sinal.
Mas o que gostaria de dividir com vocês é a experiência de fazer uma apresentação e um workshop com tradução consecutiva. Diferente da tradução simultânea, onde o tradutor traduz ao mesmo tempo em que você fala e as pessoas ouvem com fones de ouvido, na tradução consecutiva você precisa parar, mais ou menos, a cada uma ou duas frases para que a tradução seja feita. Resultado: sua apresentação fica extremamente longa e o ritmo é todo quebrado. As pessoas ficam muito tímidas para fazer perguntas por conta do idioma e a interação é difícil. Apenas aqueles que se viram razoavelmente bem em inglês falam com você, mesmo assim, depois do final, não na frente de todos.
Um pequeno resumo das lições aprendidas, caso vocês também tenham que fazer uma apresentação com tradução consecutiva:
- Reduza o seu conteúdo pela metade para poder entrar no tempo previsto. Com a tradução, o tempo normal da sua apresentação vai dobrar (ou triplicar).
- Sabe o ritmo que você havia previsto para sua apresentação? Esqueça.
- Piadas e tiradas para quebrar o gelo têm um atraso na reação das pessoas que é muito desconfortável.
- Pratique a apresentação parando a cada uma ou duas frases para ter uma ideia de como vai ser e ajuste o conteúdo de acordo com o necessário.
- Torça para ter um excelente tradutor (como eu tive a sorte de ter).
- Apresentações desse tipo não são ruins, mas são muito diferentes de uma apresentação normal. Então pratique mais do que você normalmente pratica.
Enfim, para mim, foi uma experiência nova, um aprendizado. E, além da satisfação de poder compartilhar um pouco do que sei com uma comunidade UX tão distante, é bom saber que a experiência do usuário é um assunto que está presente por todo o planeta, com comunidades ativas e profissionais que não devem nada àqueles que abriram o caminho para essa indústria da qual nós, amantes do UX, agora fazemos parte.

De volta de Boston, onde participei da 
O ponto alto do evento foi o workshop com 