Uma das situações mais difíceis em projetos de redesign de produtos é a questão da gestão de mudança, a transição entre o velho e o novo. Como fazer com que os usuários que estão acostumados com uma determinada maneira de utilizar um produto aceitem um período natural de transição até que se acostumem com o novo e esqueçam o velho?
O desafio é ainda maior quando o produto é usado pelo grande público e aquilo que devemos mudar é algo que já está no subconsciente de todos, mesmo que ele não faça mais sentido algum. Um exemplo de como é difícil vencer a barreira da mudança são os ícones usados em aplicativos.
A Microsoft lançou em janeiro de 2008 uma nova versão do Office pra Mac. Uma nova interface, mais moderna, cheia de recursos. Mas algo perece nunca mudar: o ícone do disquete, usado pra salvar arquivos. A versão Windows também traz a homenagem ao quase pré-histórico dispositivo.

A Apple parou de incluir drives de disquete em seus computadores em 1998 (há 10 anos) e a Dell não fabrica mais nenhuma máquina com esses dispositivos desde 2003 (há 5 anos). Isso significa que a imagem de um disquete começa a ser muito pouco conhecida para a maioria dos jovens de menos de 20 anos.
Por que então o ícone persiste? Tudo aquilo que vira um padrão de fato cria uma barreira natural à mudança. Aqueles que sempre utilizaram a função quando o ícone ainda fazia sentido em relação ao objeto físico saberão pra sempre o que aquilo significa. Aqueles que nunca viram o objeto acabam associando a ação à imagem e não importa se essa última faz sentido pra eles ou não, o importante é o resultado final da ação.
Para se ter uma idéia de quão estranho é ver o disquete substituído por outro ícone, vejam o exemplo abaixo da barra de ferramentas do NeoOffice, a versão opensource da suite Office pra Mac:

(pra piorar, o ícone não tem o nome ação correspondente abaixo dele)
Com a evolução da tecnologia, todos os ícones que fazem referência a objetos físicos vão acabar ficando obsoletos um dia (pensem no telefone, microfone (no Skype, por exemplo), envelope (e-mail), etc.). Mas quando vai ser a hora de mudar os ícones? Talvez nunca. Talvez tenhamos que esperar o dia em que a funcionalidade vai ficar obsoleta, ou seja, o dia em que ela não será mais necessária, daí o ícone vai embora junto.